Há alguns meses, a Caixa Costarriquenha de Seguro Social (CCSS) anunciou que o EDUS começava a disponibilizar recursos para interoperar. É importante destacar que o país ainda precisa avançar de forma significativa na parte regulatória, já que hoje não está claro até onde a lei realmente permite interoperar.
A notícia da CCSS nos entusiasmou internamente na Meddyg, já que há tempos desejávamos esses “sinais verdes” que permitissem democratizar os dados dos pacientes custodiados pela CCSS. Foi aí que iniciamos uma prova de conceito (PoC), aproveitando esse recurso, e hoje queremos compartilhar como conseguimos construir nosso próprio visualizador de Resumo Clínico do Paciente com base no que o EDUS disponibiliza, mas com um pouco de “esteroides” e aproveitando o HL7 FHIR no processo.

O visualizador do EDUS entrega um recurso FHIR, basicamente um recurso Bundle, que a CCSS ainda está ajustando com o objetivo de alcançar interoperabilidade transfronteiriça no âmbito do projeto da Rota Pan-Americana de Saúde Digital, impulsionado pela Organização Pan-Americana da Saúde e pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento. Esse recurso também nos é útil, já que é o que o EDUS disponibiliza por enquanto para compartilhar com terceiros mediante o consentimento do paciente.

Com base nesse insumo, nos dedicamos a construir uma integração com o EDUS que permitisse duas coisas:
- Oferecer aos pacientes uma segunda alternativa para visualizar alguns dados relevantes disponíveis no EDUS.
- Oferecer ao setor privado, mediante o consentimento do paciente, uma forma de acessar parte da informação gerida pelo EDUS.
Isso nos permitiria explorar como usar e complementar a informação disponível a partir do EDUS, aproveitando melhor os dados para gerar valor adicional ao paciente. Ao mesmo tempo, abria uma nova possibilidade: avançar na construção de um HIE privado sem sobrecarregar o EDUS. Foi assim que conseguimos habilitar um visualizador alternativo do EDUS.

Isso nos permitiu reaproveitar as medidas de segurança do EDUS, de modo que, para obter os dados, precisávamos solicitar a mesma informação exigida pelo visualizador oficial do EDUS. Ou seja, o titular da informação precisa digitar o captcha e o código de verificação gerados pelo EDUS, o que evitou que tivéssemos que implementar mecanismos adicionais.
Conseguimos definir alguns formatos interessantes e extrair dados que, com melhor qualidade, poderiam nos permitir gerar alertas e notificações relevantes tanto para pacientes quanto para médicos.
Oportunidade do Visualizador do Resumo Clínico do paciente do EDUS
É importante destacar que tanto o visualizador oficial quanto a alternativa desenvolvida pela Meddyg podem ser úteis também em contextos internacionais. Seu uso não está condicionado ao território nacional, o que permite oferecer contexto clínico a qualquer médico que precise atender um paciente costarriquenho no exterior.
Desafios regulatórios
Embora a equipe da Meddyg tenha considerado montar um IHE para esse teste, revisamos a Lei de Proteção da Pessoa em relação ao Tratamento de seus Dados Pessoais (8968). Embora ela permita que os titulares dos dados concedam ou revoguem seu consentimento sobre o uso de suas informações, por si só ela não oferece o alcance necessário. Sua aplicação exigiria complementação com mandatos legais ou administrativos, convênios e mecanismos de controle de acesso.
Oportunidades de melhoria
A informação disponível nesses visualizadores é baseada nos perfis do guia de implementação do HL7 FHIR International Patient Summary, que por sua vez se baseia na especificação ISO 27269:2025. No país ainda temos o desafio de habilitar nosso guia de implementação IPS nacional, um objetivo que a CCSS está buscando para que todos possamos interoperar.
O IPS do EDUS, assim como aquele que a Meddyg consome para seu próprio visualizador e integrações, poderia contar com dados mais completos, permitindo ao setor que está fora da CCSS ter um melhor contexto sobre o histórico de saúde do paciente. Por enquanto, não está mal, já que foi dado o passo que representava o maior desafio: dispor de algum conjunto de dados da população.
Os dados oferecidos pelo EDUS permitem ter uma visão do esquema de imunização, das alergias identificadas nos pacientes, o que não é um dado menor, do histórico farmacológico não padronizado, e dos diagnósticos e condições do paciente com base no catálogo terminológico da Organização Mundial da Saúde, o CID-10.
Este ano o Ministério da Saúde da Costa Rica vem coordenando como disponibilizar nacionalmente a terminologia clínica do SNOMED International, o que representaria um salto enorme em termos de qualidade de dados para diagnósticos, procedimentos, medicamentos, entre outros.
Meddyg: próximos passos
Do nosso lado, continuaremos fortalecendo o visualizador que disponibilizamos. Com isso também queremos demonstrar que é possível construir integrações alinhadas com os padrões necessários para interoperar, e que um dos grandes desafios que temos como país é começar a dar passos concretos para levar os dados dos sistemas a processos de normalização e padronização.
Como parte desse trabalho, faremos uma revisão terminológica e de modelagem de dados para dimensionar o esforço necessário para levar alguns dos dados que o EDUS oferece hoje aos perfis do Guia de Implementação FHIR Nacional CORE (ainda em desenvolvimento) e ao Guia de Implementação de IPS transfronteiriço (LACASS) da RACSEL — Rede da América Latina e do Caribe de Saúde Digital — com o propósito de contar com recursos verdadeiramente interoperáveis dentro do ecossistema nacional.
Você pode acessar o visualizador da Meddyg em https://edus.meddyg.com
Nota: os dados pessoais da paciente apresentados no vídeo não são reais; parte da informação corresponde à primeira mulher a ocupar o cargo de primeira-dama da Costa Rica, Pacífica Fernández Oreamuno.


