Analisamos, revisamos e redesenhamos o modelo de dados da sua organização para que a informação clínica preserve o seu significado ao passar de um sistema para outro — com uma estratégia de terminologias, um modelo-alvo e um plano de migração que não interrompe a operação.
A interoperabilidade raramente falha no transporte: falha no modelo.
Quando dois sistemas não conseguem se entender, quase nunca é porque a mensagem não chegou. É porque cada um guarda o mesmo fato clínico de forma diferente: um campo de texto livre onde o outro tem um código, uma tabela própria de diagnósticos, uma data que às vezes é a da coleta e às vezes a do laudo, um identificador que se repete entre estabelecimentos. Padronizar o intercâmbio sem organizar o modelo apenas transfere o problema para a camada seguinte. Este serviço atua onde o problema nasce: analisamos o modelo atual, revisamos o seu desenho, acordamos até onde vai o alcance e propomos um modelo-alvo com as terminologias, as regras de normalização e o plano de migração necessários para chegar até ele.
Camadas
Um modelo de dados se decide em cinco camadas
As cinco existem mesmo que ninguém as tenha decidido. Quando uma é pulada, a decisão é tomada assim mesmo — por quem está desenvolvendo, no momento de desenvolver, e sem deixar registro.
Governança
O que se decide aqui
Quem é dono de cada dado, quem aprova uma mudança de modelo, com que cadência se versiona e como uma decisão é documentada para continuar compreensível daqui a três anos.
O que falha quando é ignorada
Cada projeto cria a sua própria variante do mesmo conceito, ninguém consegue reverter uma mudança e entender o modelo vira trabalho de arqueologia.
Semântica
O que se decide aqui
O que exatamente cada dado significa: a qual terminologia se vincula, com que força de binding, em quais unidades se expressa e o que se faz com os valores que não têm código.
O que falha quando é ignorada
Os sistemas compartilham estruturas idênticas e dados incomparáveis. A análise agrega coisas distintas sob o mesmo nome e ninguém percebe.
Sintática
O que se decide aqui
Como a informação é estruturada: o que é recurso e o que é atributo, como as observações se aninham, quais cardinalidades se aplicam e o que exatamente significa um valor ausente.
O que falha quando é ignorada
Cada integração precisa do seu próprio tradutor, nenhum mapeamento é reaproveitável e o custo de conectar cresce a cada novo sistema.
Técnica
O que se decide aqui
Como se persiste e se consulta: esquema físico, índices, versionamento de registros, historização e o desempenho tanto da consulta clínica quanto da analítica.
O que falha quando é ignorada
O modelo está correto no papel e a consulta de que o clínico precisa leva minutos, então alguém cria uma tabela paralela e o modelo único deixa de ser único.
Normalização
O que se decide aqui
Quais regras transformam o dado real — o que já está carregado, com duplicidades, abreviações e texto livre — em dado conforme ao modelo, e o que se faz com aquilo que não encaixa.
O que falha quando é ignorada
O modelo novo convive com anos de dados que não o cumprem, e a migração se revela inviável quando uma data já foi prometida.
Metodologia
Do modelo que existe ao modelo de que se precisa
Cinco etapas. A primeira olha os dados reais, não apenas o diagrama.
01
Análise do modelo atual
Levantamos o que existe: esquemas, dicionários, tabelas de códigos próprias, formulários e as estruturas que cada sistema de fato usa. E perfilamos os dados já carregados — distribuições, nulos, texto livre, duplicidades — porque o modelo documentado e o modelo em produção raramente coincidem.
Saídas
Inventário de fontes e esquemas
Dicionário de dados consolidado
Perfilamento dos dados reais
Tabelas de códigos em uso
02
Revisão de desenho
Avaliamos o modelo contra critérios explícitos em vez de opiniões: expressividade clínica, rastreabilidade de quem registrou o quê e quando, extensibilidade diante de um domínio novo, consultabilidade para a clínica e para a análise, e capacidade de sustentar o intercâmbio de que a organização precisa.
Saídas
Relatório de revisão de desenho
Achados por camada
Riscos e dívida de modelo
Decisões que precisam ser tomadas
03
Alcance do modelo
Acordamos até onde ele vai: quais domínios clínicos entram agora, com que granularidade, o que é representado de forma estruturada e o que é aceito como texto por enquanto. Quando o domínio já tem um DAK das SMART Guidelines da OMS, seus elementos de dados essenciais são o ponto de partida do escopo, em vez de uma lista construída do zero. Um alcance honesto é o que torna todo o resto executável.
Saídas
Documento de alcance
Domínios priorizados
Granularidade por domínio
O que fica de fora e por quê
04
Proposta de modelo-alvo
Desenhamos o modelo de destino e o expressamos nos artefatos da abordagem escolhida: arquétipos e templates, perfis e extensões, ou um modelo canônico interno. Com identificadores, terminologias e regras de conformidade decididos, não pendentes.
Saídas
Modelo lógico-alvo
Artefatos da abordagem escolhida
Estratégia de identificadores
Bindings terminológicos
05
Governança e evolução
Um modelo sem processo de mudança volta a divergir no primeiro projeto urgente. Definimos quem aprova uma alteração, como se versiona, como se comunica e qual compatibilidade se garante entre versões.
Saídas
Política de versionamento do modelo
Processo de solicitações de mudança
Papéis e responsáveis por domínio
Documentação viva do modelo
Abordagens
O que padronizamos, e com o quê?
openEHR e FHIR às vezes são apresentados como alternativas excludentes. Não são: resolvem problemas diferentes e, em mais de um ecossistema, vale usar os dois.
openEHR
O registro clínico
Modela e persiste a informação clínica com o modelo separado do software: os arquétipos definem o conjunto máximo de dados de um conceito clínico, os templates o restringem para um uso concreto e as consultas são escritas contra o modelo, não contra um esquema físico. O conteúdo é governado pelos clínicos, não pela equipe de desenvolvimento.
Artefatos
Arquétipos (ADL)
Templates operacionais
Consultas AQL
Modelo de referência
Quando faz sentido
Quando a organização constrói ou refaz o seu repositório clínico e quer que o modelo sobreviva ao fornecedor de software.
Quando o domínio clínico é profundo e muda com frequência, e não se aceita uma migração de esquema a cada mudança.
Quando é preciso consultar o histórico clínico com uma semântica que se mantenha estável ao longo dos anos.
HL7® FHIR®
O intercâmbio
Modela como a informação sai de um sistema e entra em outro: recursos com granularidade pensada para o transporte, perfis que os restringem a um caso de uso concreto e APIs com buscas e operações definidas. É o contrato com o mundo externo.
Artefatos
Perfis e extensões
ValueSets e bindings
CapabilityStatement
APIs e parâmetros de busca
Quando faz sentido
Quando é preciso trocar informação com sistemas, redes ou ecossistemas nacionais que já o exigem.
Quando o objetivo imediato é expor dados existentes sem refazer a persistência.
Quando a conformidade precisa ser verificável por um terceiro, sem acesso ao banco de dados.
Modelo canônico
O interior da organização
O modelo comum que a organização usa entre os seus próprios sistemas, a sua análise e os seus processos. Nem sempre precisa ser um padrão externo, mas precisa ser um só: é o ponto em que as diferenças entre fontes são resolvidas antes de expor qualquer coisa para fora.
Artefatos
Modelo lógico canônico
Dicionário de dados
Regras de derivação
Mapeamentos por fonte
Quando faz sentido
Quando convivem sistemas legados que não serão substituídos no curto prazo.
Quando a análise precisa de uma visão estável que não dependa da versão de cada fonte.
Quando vale pagar a tradução entre modelos uma única vez, em um lugar, e não em cada integração.
Como se conectam
Escolher um não exclui os outros. O caminho habitual vai do modelo clínico ao contrato de intercâmbio, e o modelo canônico é o que evita que cada ponta acabe falando uma língua própria.
Arquétipo → template → perfil FHIR: o detalhe clínico fica no repositório e é exposto de forma reduzida para o intercâmbio.
Modelo canônico → perfil FHIR: os sistemas legados são normalizados uma vez e expostos conformes sem tocar na sua persistência.
Terminologia compartilhada: os bindings são definidos uma vez e valem para as três abordagens; sem isso, cada uma reinventa os seus códigos.
Identificadores comuns: paciente, profissional, estabelecimento e episódio precisam significar o mesmo no repositório, no canônico e na API.
Terminologias
Adotar um vocabulário é uma decisão de operação, não de catálogo
Baixar o SNOMED CT não é adotá-lo. Cada terminologia obriga a decisões sobre alcance, manutenção, licenciamento e versionamento que, se não forem tomadas no início, acabam sendo tomadas sozinhas e mal.
SNOMED CT®
Vocabulário clínico de referência para diagnósticos, procedimentos, achados e contexto clínico.
Decisões que obriga a tomar
Licenciamento e afiliação no país onde será usado.
Quais subsets ou refsets são habilitados por formulário e por domínio — ninguém usa a terminologia inteira.
Se será criada uma extensão nacional ou institucional, e quem a governa.
Como tratar os conceitos inativados a cada release sem quebrar o histórico.
LOINC®
Identificação de observações, exames de laboratório, painéis e variáveis clínicas.
Decisões que obriga a tomar
Qual código corresponde a cada exame do catálogo local, incluindo a parte que hoje só existe como nome interno.
Como as unidades são representadas e se são normalizadas para UCUM.
O que fazer com os painéis e com os exames que o laboratório reporta agrupados.
Quem atualiza o mapeamento quando o laboratório troca de método ou de equipamento.
CID-10 / CID-11
Classificação para reporte estatístico, morbidade, mortalidade e obrigações regulatórias.
Decisões que obriga a tomar
O que é registrado como classificação e o que como terminologia clínica — não são intercambiáveis.
Como o código estatístico é derivado do registro clínico sem obrigar a uma dupla digitação.
Qual versão cada reporte obrigatório exige e como convivem quando divergem.
CodeSystems e ValueSets nacionais
Os catálogos próprios do país — estabelecimentos, serviços, profissionais — e os ValueSets que as guias nacionais impõem.
Decisões que obriga a tomar
Quem os publica, em que formato e com que frequência.
Como são sincronizados com os catálogos internos que já estão em produção.
O que acontece quando o catálogo nacional muda e os sistemas locais ainda não.
Como se declara a rastreabilidade entre o código local e o nacional.
Códigos locais e ConceptMap
Os catálogos que a organização já tem e que não vão desaparecer de um dia para o outro.
Decisões que obriga a tomar
Quais códigos locais são mapeados, quais são aposentados e quais permanecem como identificador secundário.
Que equivalência cada mapeamento declara: exata, mais ampla, mais específica ou inexistente.
Onde o mapeamento vive e quem responde por ele quando o catálogo de origem muda.
Trabalhamos com essas terminologias como marco técnico de referência. O licenciamento e a afiliação, quando aplicáveis, cabem à organização ou ao país que as adota.
Migração
Redesenhar o modelo sem desligar a operação
Um modelo novo não serve de nada se os dados que já existem não chegarem até ele. A migração é desenhada como um projeto próprio, com fases, critérios de aceite e uma saída de emergência.
01
Inventário e perfilamento
Mede-se o que existe de fato: volumes, qualidade, texto livre, duplicidades, valores fora de faixa e dados que nunca cumpriram a regra que diziam cumprir.
02
Regras de normalização
Definem-se as transformações e os critérios de qualidade: o que se limpa, o que se deduplica, o que se enriquece com terminologia e o que se marca como não conforme.
03
Mapeamento e equivalências
Mapeia-se campo a campo e código a código, declarando o tipo de equivalência de cada mapeamento. O que não mapeia é documentado como exceção; não é descartado em silêncio.
04
Convivência de modelos
O modelo antigo e o novo operam ao mesmo tempo por um período acordado, com escrita dupla ou visões de compatibilidade, para que nenhum sistema dependa de uma única data de corte.
05
Backfill e validação
O histórico é migrado em lotes e validado por equivalência: reconciliação de volumes, comparação de agregados e revisão clínica por amostragem. A validação é o que autoriza o corte.
06
Corte e desativação
Corta-se o fluxo para o modelo antigo e ele é desativado quando se demonstra que ninguém mais o lê, preservando a rastreabilidade de cada transformação para explicar depois a origem de um dado.
Regras que sustentam a migração
Nenhum dado é transformado sem registro da regra que o transformou e do seu valor original.
O que não mapeia é marcado e contado: uma migração que esconde as suas exceções não pode ser auditada.
A convivência tem data de fim acordada desde o início, ou se torna permanente.
O corte é autorizado pela validação, não pelo cronograma.
O modelo antigo é desativado quando se demonstra que ninguém o consulta, não quando se supõe.
Cada fase entrega valor por si só, para que uma pausa no projeto não deixe a operação pela metade.
Resultados
O que sua organização recebe
Documentos usados durante o redesenho e depois dele — não um relatório que é arquivado.
Análise do modelo atual
Inventário de fontes, dicionário consolidado e perfilamento dos dados reais.
Revisão de desenho
Achados por camada, riscos, dívida de modelo e as decisões ainda pendentes.
Documento de alcance
Domínios, granularidade e o que fica explicitamente fora desta iteração.
Modelo-alvo
O modelo lógico e os artefatos da abordagem escolhida: arquétipos e templates, perfis ou modelo canônico.
Catálogo terminológico e ConceptMaps
Bindings por elemento e equivalências declaradas com os códigos locais.
Regras de normalização
Transformações, critérios de qualidade e tratamento explícito das exceções.
Plano de migração por fases
Sequência, critérios de aceite, convivência e condições para autorizar o corte.
Governança do modelo
Versionamento, processo de mudança e responsáveis por domínio.
Experiência
Modelagem em projetos reais
O trabalho de modelagem e terminologia por trás de guias de implementação que hoje estão publicados e em uso.
Ângulo de modelagemValueSets e CodeSystems nacionais
Perfis e ValueSets das terminologias clínicas compartilhadas pelo ecossistema de saúde do país: decidir qual vocabulário se aplica a cada elemento, com que força de binding e quem mantém o catálogo.
Ângulo de modelagemModelo de laboratório e binding LOINC
Estrutura e regras de conformidade para notificar resultados: o que se representa como observação, como os exames são codificados e como unidades, valores de referência e interpretação viajam junto.
Ângulo de modelagemDo mundo DICOM ao modelo de intercâmbio
Perfis para o intercâmbio de relatórios de estudos de imagem: a tradução entre o que o equipamento produz e o que o registro clínico precisa.
Ângulo de modelagemNormalização para notificação nacional
Notificação a partir do EDUS/CCSS
Notificação de doenças de notificação compulsória, vacinas e resultados de laboratório: alinhar o que o sistema de origem registra com o que o guia nacional exige receber, e recebê-lo no primeiro servidor FHIR nacional.
Estes casos correspondem ao trabalho de modelagem e terminologia dentro de guias de implementação nacionais. A abordagem openEHR faz parte do serviço e é avaliada caso a caso; não aparece aqui porque não fez parte destes projetos.
Perfil
Para quem é este serviço?
O que muda de uma organização para outra não é o método, e sim quanto custa continuar sem um modelo acordado.
Hospitais e redes hospitalares
Vários sistemas clínicos que registram o mesmo fato de formas distintas. O modelo comum é o que permite uma visão única do paciente.
Instituições públicas e projetos nacionais
Ecossistemas que precisam acordar o modelo antes de exigir conformidade, para que o guia nacional se apoie em uma decisão e não em uma suposição.
Laboratórios e centros de imagem
Catálogos próprios que precisam ser mapeados para LOINC ou para códigos nacionais sem perder o detalhe de que o laboratório precisa para operar.
Fornecedores de software de saúde
Produtos cujo esquema cresceu por acúmulo e que agora precisam expor dados conformes sem refazer a base do zero.
Áreas de análise e dados
Equipes que dependem de o dado significar o mesmo em todas as fontes para que um indicador seja comparável entre estabelecimentos.
Seguradoras
Intercâmbio com múltiplos prestadores em que cada um codifica à sua maneira e a equivalência precisa ser declarada, não suposta.
Autodiagnóstico
Reconhece algum destes problemas?
O mesmo fato clínico é registrado de forma diferente em cada sistema, e nenhum está errado.
Temos campos de texto livre onde deveríamos ter códigos.
Cada sistema tem a sua própria tabela de diagnósticos e nenhuma coincide com outra.
Queremos adotar SNOMED CT ou LOINC e não sabemos por onde começar nem quem os manteria.
Nosso dicionário de dados não coincide com o que existe de fato na base.
Um mesmo indicador dá diferente conforme a fonte que o calcula.
Adicionar um novo domínio clínico obriga a migrar o esquema.
O modelo é decidido por quem desenvolve, no momento de desenvolver.
Temos anos de dados históricos que não cumprem o modelo que queremos adotar.
Ninguém consegue explicar de onde saiu um dado depois de três transformações.
Cada nova integração obriga a escrever mais um tradutor do zero.
Precisamos expor FHIR e descobrimos que o dado que o guia exige não existe estruturado.
Se você reconhece várias destas situações, o problema não está nas interfaces: está no modelo que existe por baixo delas.
O seu modelo aguenta o que vão pedir dele?
Antes de expor APIs ou se comprometer com um guia nacional, vale saber o que o modelo realmente representa e o que falta para chegar aonde se precisa.