A Meddyg liderou o desenho técnico e a implementação da primeira demonstração funcional de interoperabilidade em saúde da Costa Rica, um marco que conecta sistemas públicos e privados sem centralizar os dados médicos.

A Costa Rica deu um passo decisivo rumo a um sistema de saúde interoperável. Sob a articulação do Global Life-Centered Hub (GLCH), um grupo de empresas e instituições concluiu com sucesso o primeiro teste funcional que comprova que diferentes sistemas de saúde podem trocar informações médicas de forma segura, rastreável e sem a necessidade de uma base de dados centralizada.

Na Meddyg, lideramos o desenho técnico dessa demonstração: definimos a arquitetura de interoperabilidade, implementamos a camada de troca de dados sob o padrão HL7 FHIR por meio do Kivú FHIR, nossa façade de interoperabilidade, e coordenamos —junto com nossos parceiros do GLCH, Siftia e Esicom— a execução técnica do piloto, incluindo os testes de integração entre FHIR e X-Road.

O papel da Meddyg na demonstração

  • Arquitetura: desenhamos como os sistemas das instituições participantes se conectariam sob os padrões X-Road e OpenHIE.
  • Façade FHIR: implementamos a camada de tradução dos dados clínicos para o padrão HL7 FHIR com o Kivú FHIR, permitindo que sistemas com modelos de dados diferentes "falassem a mesma língua".
  • Coordenação técnica: lideramos, junto com a Siftia e a Esicom, a execução técnica do piloto no dia a dia.
  • Testes de integração: validamos que a camada FHIR se comunicava corretamente com a infraestrutura do X-Road.

Por que a interoperabilidade importa

Hoje, boa parte da informação de saúde na Costa Rica vive isolada dentro de cada instituição. Essa fragmentação obriga as pessoas a repetir exames, levar documentos de um centro médico a outro, ou esperar enquanto seu histórico não está disponível no momento em que mais precisam dele. Resolver isso é um dos principais desafios dos sistemas de saúde modernos — e é exatamente o problema que a interoperabilidade busca resolver: fazer com que a informação acompanhe o paciente, não importa onde ele receba atendimento.

Como funciona a solução técnica

A demonstração se apoiou em duas peças complementares. De um lado, o X-Road, a tecnologia de troca de dados usada no projeto: uma espécie de "rodovia" digital para mover informações entre instituições sem centralizá-las. De outro, os padrões abertos do OpenHIE e do HL7 FHIR, que garantem que os dados clínicos sejam compartilhados em um formato comum, rastreável e auditável. Na Meddyg, trabalhamos especificamente nessa segunda peça: a façade FHIR que traduz os dados de cada sistema para o padrão internacional, e os testes que confirmaram que essa camada se comunicava corretamente com a infraestrutura do X-Road.

Um ecossistema de colaboração público-privada

O exercício foi possível graças à articulação do GLCH, junto com o Ministério de Ciência, Inovação, Tecnologia e Telecomunicações (MICITT), a Agência Nacional de Governo Digital, instituições públicas e representantes do setor privado. Jürgen Schosinsky, diretor executivo do GLCH, resumiu o sentido do exercício assim:

Estes testes demonstram que a infraestrutura tecnológica permite trocar informações de maneira segura, confiável e rastreável. Isso dá aos pacientes a tranquilidade de que, quando no futuro autorizarem a troca de suas informações médicas entre diferentes instituições de saúde, seus dados serão geridos com altos padrões de segurança, privacidade e integridade.

A iniciativa faz parte de uma visão mais ampla: construir um sistema nacional de troca de informações em saúde (Health Information Exchange, HIE) na Costa Rica, com apoio técnico do NIC Costa Rica, expertise em colaboração público-privada da Fundación Aliarse, e articulação do setor privado por meio da Cámara de Salud.

O que vem a seguir para a Meddyg

Para a Meddyg, esta demonstração confirma algo com que trabalhamos todos os dias: que a interoperabilidade em saúde não é uma aspiração distante — é uma capacidade que já pode ser construída com os padrões certos (FHIR, OpenHIE e arquiteturas abertas) e a equipe técnica adequada. Continuaremos apoiando a Costa Rica nesse caminho rumo a um sistema de saúde digital mais conectado, seguro e centrado nas pessoas.